Cód. Referência: PT/AMCTC/CMCTC
O Concelho de Constância tem uma área 80 km², distribuídos por três freguesias: Constância (São Julião), Montalvo e Santa Margarida da Coutada. A Sede do Concelho, Constância, antiga Vila de Punhete, situa-se na confluência do Rio Zêzere com o Rio Tejo.
Sabe-se que a actual vila de Constância já existiria no ano de 100 a.C. e que por aqui terão passado Iberos, Romanos e Mouros. Por iniciativa da Ordem dos Templários, aqui se terá erguido ou restaurado um castelo por Gualdim Pais, na foz do rio Zêzere, por ser um ponto estratégico de defesa do território cristão contra a entrada dos mouros, contribuindo decisivamente para o povoamento de Constância. Terá igualmente ajudado a restaurar a povoação, o foral de Abrantes de 1179.
O Rei de Portugal, D. Sebastião, que aqui se refugiou para escapar à peste de 1569, deu-lhe foro de vila e Município independente em 1571 «por quarenta homens honrados» numa carta régia, sem contudo lhe ter alterado o nome, declarando-se no documento que no referido lugar já existia «casa e audiência da Câmara e cadea e pelourinho com argola e cepo e açougue».
A situação geográfica privilegiada junto dos rios Tejo e Zêzere, foi decisiva para Punhete, pois permitiu-lhe ascender em termos de importância e vitalidade no período da reconquista, sobretudo a partir do século XV. O rio constituiu, desde sempre para Constância, o eixo vivificador das suas gentes, cuja fonte de subsistência principal era a actividade fluvial. Era pois, pelo rio que se estabeleciam os contactos comerciais com o litoral (Lisboa e Santarém), fazendo-se o transporte de mercadorias vindas da região de Vila Velha de Ródão, Belver e Abrantes pelo Tejo. Através do Zêzere desciam as mercadorias provenientes do interior do reino: da Beira Baixa, desde a Serra da Estrela passando pelo pinhal e por Tomar (Via Nabão), fazendo ligação à capital do reino pelo rio Tejo.
Em 1807 e 1810, Punhete foi invadida pelas tropas francesas, tendo o seu exército devastado por completo o património público e privado, incluindo os Paços do Concelho e os Arquivos da Câmara.
Em 7 de Dezembro de 1836, e em resposta aos pedidos dos moradores e da própria Câmara Municipal, a Rainha D. Maria II de Portugal altera o nome de Punhete para “Notável Vila de Constância”.
Em 1868, o Concelho de Constância foi extinto e anexado ao de Abrantes, mas apenas pelo período de alguns dias. Em 21 de Novembro de 1895, com a entrada em vigor de um novo código administrativo e uma nova divisão concelhia o Concelho de Constância é novamente extinto e anexado ao de Abrantes. Contudo em 17 de Janeiro de 1898 o Concelho é restaurado e a documentação trazida para Constância, onde se mantém até hoje.
Este fundo reporta-se, na sua maioria, a documentação resultante da actividade da instituição, sendo marcado essencialmente pela pertinência administrativa e pelo seu valor primário. Constituído fundamentalmente por Livros de actas das vereações, posturas, regulamentos, documentos de contabilidade e tesouraria; do expediente e arquivo; do aprovisionamento e património; sobre impostos e contribuições municipais; processos de obras particulares e municipais; correspondência e eleições; relativos a segurança pública, urbanismo, serviços urbanos, habitação, saúde, assistência e cultura, educação, desporto e turismo, actuando subordinados aos princípios técnico administrativos de planeamento, coordenação, delegação e gestão do pessoal.